Palavra de Taurina

sexta-feira, 26 de março de 2010

Você, não.


Hoje eu acordei e estava nublado. Tempo fechado. Coração fechado. Cara fechada. Um "bom dia" atravessado para o trocador do ônibus e lá vou eu pra mais um dia de faculdade, mas hoje é um "daqueles".
A capacidade que você tem de transformar meu humor é algo irritante. Não consigo controlar nada dentro de mim quando está relacionado a você. É só impulso. Pulso. Só. Pelo menos hoje é sexta-feira e já sei o final do dia.
Você me liga por volta das 16:00, sondando o ambiente, querendo saber se está tudo certo pra mais tarde. Confirmo, sem nenhuma empolgação. Você fala alguma coisa sem graça, me fazendo resmungar desinteressada. Fala que vai passar pra me buscar às 21:00 h...
Eu te faço esperar de propósito - aproveito pra testar os penteados e makes novos que vi naquela revista que você não gosta muito - mas você sabe que não está em condições de reclamar. Por fim, diz que eu tô linda e que é perda de tempo continuarmos assim. Resisto. Faço charme, mas acabo amolecendo. O Ferrari Black no ar começa a me deixar enciumada.
Entro no carro. Bato a porta. Você reclama, como sempre. Desconfio que a coisa mais importante da sua vida seja esse carro e não eu, como v ocê costuma dizer. Abaixo o ar. Você aumenta. Abro o vidro. Você põe Freddie Mercury no máximo. Ok, você venceu. Ar! Chegamos no restaurante, pelo menos concordaremos em algo essa noite. Uma barca com tudo o que tem direito. Agora sim, vou esboçando um sorriso.
"Ela tá chegando". Pronto. Fecho a cara de novo. Não quero vê-la. Não suporto saber quem ela é. Não aguento nem olhar a cara, muito menos sentir o cheiro. Levanto. Você fica sem ação. Não sabe se vai atrás ou se fica. Me alcança. Diz que minha teimosia te irrita e que não há motivos para ciúme. Ora, como não? Pego um táxi e vou pra casa. Te mando uma mensagem bem malcriada: "Aproveite o jantar com sua namoradinha". Você não responde. Me conhece, sabe que não vai dar em nada.
No dia seguinte você me liga: "Guardei os seus temakis, vem almoçar aqui em casa". Respondo "só se hoje eu tiver meu pai só pra mim". Trato feito.

quarta-feira, 17 de março de 2010

IN

Texto antigo. MUUUITO antigo mesmo. Aí vai!


Não sei bem o que faz alguém amar outro alguém. E nunca soube se esse tal de amor existe mesmo, ou anda por aí disfarçado de amor pra pegar tolos. Seja lá como for, me sinto uma tola. E a culpa é sua. A culpa é só sua. Ando me estranhando ultimamente. Ora, o que estou fazendo? Está vendo, ando tão maluca que uso folhas de papel pra confessar o que sinto. Muitas vezes jogo no lixo, pra ninguém nunca saber o que ousei pensar. Mas há algumas guardadas, caso queira rir dessa bobagem mais tarde. Cheguei a algumas conclusões depois de passar um bom tempo pensando na gente. Ai, que bobagem, não existe a gente. Existe eu. Ah, eu e esse tal de amor. Mas voltando as minhas conclusões... É, pode ter sido aquele teu sorriso. É, esse mesmo que você fazia quando me perguntava "será que ela tá na minha?". Pensei no teu olhar, quando buscava conforto e acabava sempre no mesmo lugar. Mas quer saber? Acho que a culpa é toda da sua mãe. Ela me enchia de esperança toda vez que me chamava pra almoçar ou fazia aquele bolo de chocolate com canela, que parecia ter o teu gosto, no finzinho da tarde. Eu comecei a perceber tudo isso e a me odiar quando me dava vontade de te mandar pro inferno toda vez que você falava das garotas que você ficava, que pra mim não passavam de patricinhas-mimadas-fúteis-e-sem conteúdo. Às vezes me dá vontade de largar esse papel de bobagens na calçada da sua casa, fingindo ter deixado cair, pra você ler e perceber. Talvez você tenha notado no dia em que me perdeu. É que um dia a gente cansa e eu nem sou mais tão criança pra aturar os seus caprichos e essa tua falta de atenção. Pode parecer loucura, mas já pensei em tantos "se" pra você poder me notar. E se eu pintasse meu cabelo de azul? E desse as mãos pra você na rua? E se eu dissesse que te amo? E que depois das bebidas eu só quero você... E se eu pintasse o céu de vermelho, e te descabelasse no sofá? E se eu alugasse um dvd pra gente ver comendo brigadeiro... numa noite fria, no chão da sua sala? E se eu colocasse meu nick com seu nome, e te fizesse rir? Te fizesse ver como seria mais fácil. É tão estranho, mas sei que você me faz tão bem que quando está longe eu só penso em você. Mas eu tô cansada de ver você sorrir enquanto eu tô chorando por você. Eu sei, não é certo desistir, mas talvez seja o melhor a fazer. No meu canto eu não corro risco, troco lágrima velha porque sempre é preciso. Eu, que nunca tive muito jeito pra falar de sentimento, fico na minha. E onde já se viu garota escrota como eu falar pra ti coisas bonitas? Mas o que fazer se quando você está por perto, minha tristeza desaparece? E se andando por uma avenida, outros rostos não representam nada perto de você? E se eu não ouço mais o movimento do trânsito, apenas a batida do meu coração... Você é minha falta de ar constante. Você devia pensar melhor antes de se apoiar em mim. Você nunca pensou em ninguém, só visou a sua dor. E agora eu choro no meio da noite, pelo mesmo maldito motivo. Eu estava me lembrando daquela vez no mercado, você veio de fininho por trás de mim e pulou no meu carrinho e saiu deslizando pelo corredor n° 5. Você olhou para trás pra sorrir para mim e bateu numa pratileira cheia de revistas. Pediram que a gente se retirasse... Eu não consigo me lembrar o que deu errado setembro passado, embora eu tenha certeza de que você me lembraria se precisasse. Eu estou saindo com um cara e ainda não me acustumei, todas as minhas amigas aprovam, dizem "ele vai ser bom pra você", dão o maior apoio. Ele diz que a Bíblia é tudo o que ele lê e prefere que eu não fale palavrões. Mas a sua boca suja era o melhor da festa...