Musiquinha!!



Do meu quarto eu ouço o barulho de chave no corredor. Pelo jeito que balança lento sei que é você. Calmo, tranqüilo e atento, sempre compensando meu lado descompensado e aéreo.
Entra, tira os sapatos, vai no quarto e me tira um beijo. Odeio rotinas, mas essa me tira do eixo. Aí, pra variar, você reclama dos 7 filmes que eu aluguei. Alegando que vamos ver 2 e pagar à toa. Toma banho emburrado e, como quem não quer nada, se achega, se enfia no edredon e dá o play. Pronto, lá se foram 7 filmes, algumas multas e o final de semana inteirinho regado a pipoca e fanta-uva.
No intervalo das gargalhadas, beijinhos. No intervalo das lágrimas, carinhos. No intervalo dos filmes, hm, sexo! E assim a gente vai se completando. Para a minha agitação, a sua calma. Para o seu mau-humor, minhas doses diárias de alegria. Para o meu frio no pé, seus meiões enormes. Para a sua falta de paciência, minha bondade no trânsito.
E mesmo com isso ainda temos um ao outro. Mesmo nos vendo nus, crus e na luz, nos aceitamos. Com a gente não tem meio termo, não tem mais ou menos. E é disso que eu gosto. Não tem vírgulas, não tem ponto final. Somos reticências, dízimas periódicas no amor.
Uma coisa que me irrita é gente que não sabe viver. Somos um pontinho nesse mundão e temos que marcar, pelo menos, a nossa vida. Eu vivo do jeito que a vida chega em mim. Amante, voraz, avassaladora, sem óculos escuros. Eu frito a retina, as sensações.
Cansei de quem vive a vida como se fosse uma obrigação, como se ela não fosse nada, além de uma passagem. Tenho preguiça de quem não tem medo da morte. Eu morro de medo! Imagine só, qual a graça de morrer agora? Tenho tanta coisa pra viver. Nem toquei na vida ainda. Me sinto como um animal selvagem, preso, prestes a sair do cativeiro. E sou.
A vida é sacana mesmo. Judia, cospe, brinca, zomba, mas acolhe, segura, amacia. Se menos é mais, eu não sou nada. Sou exagerada. Exagero na fala, no amor, no choro, na animação, na vida.
Eu vivo, penso, falo, escrevo, descrevo, apago, rabisco, arrisco, petisco, amo, como, grito, instigo, apaixono, pulo, acredito. Dô linha na pipa, mato a cobra, mostro o pau, dou bola, chuto, deito e rolo… e quero mais!
O verão é, sem dúvidas, a estação que a gente mais espera. Mais espera pelo calor. Não só o calor do sol, o calor que queima e faz marquinha. Mas é o verão a estação do calor humano. O calor que aquece o coração da gente e faz pular de alegria, seja qual for o motivo. Seja aquecido por paixão, por amigos, por festas e sorrisos, seja até aquecido pelo sol mesmo, mas seja. A internet do trabalho voltou e me deu vontade de postar. Mas quero postar meu texto mesmo só quando eu chegar em casa. =)