Palavra de Taurina

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Prazer!


Agora você passa e eu já não acho graça. É só desgraça te olhar. Não adianta mudar de calçada, trocar a mesa. Meu descaso é na cabeça, não no lugar.
Aprendi, a duras penas, que dar risada do meu erro é crescer leve. E foi isso que eu fiz. Depois de morrer e voltar, eu sorri. E sorri tanto. Tanto que te digo...
Pode soprar a franja. Pode usar calça. Coloca aquela camisa rosa, que não vai mexer comigo. E se duvida, nem tente me testar. Tenho certeza de que esses 3 "motivos" não foram os únicos responsáveis por eu ter me apaixonado, mas não sei por que só consigo me lembrar destes.
Na verdade o que eu queria mesmo era te agradecer por me fazer conhecer uma pessoa, a qual tenho real necessidade, a única capaz de me fazer feliz... Prazer!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

(Fra)(E)Terno.


Meus dias úteis geralmente não têm muita graça. Se resume em acordar tarde, ficar de bobeira e ir pra faculdade. E é exatamente nessa hora – a que eu mais deveria ter preguiça – é que eu me encontro, me realizo, que eu me alegro.

É que antes de eu sair, elas chegam. E não deixam ninguém respirar. E chegam cantando, chegam sorrindo, sujas, com cheiro de infância, cabelo armado e com meu coração nas mãos. Tomam um banho gostoso e vêm, rebolativas, sorridentes, me contando o dia que tiveram.

Comem toda a janta, pois querem que o cabelo cresça como o meu. E é quando eu sinto toda a dor do mundo. Nada mais é o amor do que uma dor imensa, que prende nossa fala, alegra a cabeça e aquece o coração.

É nelas que encontro forças, é por elas que volto correndo da faculdade só pra chegar a tempo de desajar uma “boa noite” enquanto elas estão com aqueles pijamas cheios de babados em cima daquelas caminhas dos 7 anões.

E não há nada no mundo que me emociona mais do que elas, do que falar delas, tê-las. Não há nada mais gostoso do que ouvir elas gritando “Isinhaaaa” e vir de braços abertos se encaixar nos meus, mais abertos ainda.

Abraçá-las é como se, por um instante, eu estivesse no céu. E sinto como se elas devessem segurar a minha mão e me atrevessar pelas ruas, pois já não sinto mais o chão.

domingo, 2 de maio de 2010

Meu mês.


"Suavemente Maio se insinua
Por entre os véus de Abril, o mês cruel
E lava o ar de anil, alegra a rua
Alumbra os astros e aproxima o céu.

Até a lua, a casta e branca lua
Esquecido o pudor, baixa o dossel
E em seu leito de plumas fica nua
A destilar seu luminoso mel.

Raia a aurora tão tímida e tão fragil
Que através do seu corpo transparente
Dir-se-ia poder-se ver o rosto

Carregado de inveja e de presságio
Dos irmãos Junho e Julho, friamente
Preparando as catástrofes de Agosto..."

(Vinícius de Moraes)