Você, minha rotina.

Do meu quarto eu ouço o barulho de chave no corredor. Pelo jeito que balança lento sei que é você. Calmo, tranqüilo e atento, sempre compensando meu lado descompensado e aéreo.
Entra, tira os sapatos, vai no quarto e me tira um beijo. Odeio rotinas, mas essa me tira do eixo. Aí, pra variar, você reclama dos 7 filmes que eu aluguei. Alegando que vamos ver 2 e pagar à toa. Toma banho emburrado e, como quem não quer nada, se achega, se enfia no edredon e dá o play. Pronto, lá se foram 7 filmes, algumas multas e o final de semana inteirinho regado a pipoca e fanta-uva.
No intervalo das gargalhadas, beijinhos. No intervalo das lágrimas, carinhos. No intervalo dos filmes, hm, sexo! E assim a gente vai se completando. Para a minha agitação, a sua calma. Para o seu mau-humor, minhas doses diárias de alegria. Para o meu frio no pé, seus meiões enormes. Para a sua falta de paciência, minha bondade no trânsito.
E mesmo com isso ainda temos um ao outro. Mesmo nos vendo nus, crus e na luz, nos aceitamos. Com a gente não tem meio termo, não tem mais ou menos. E é disso que eu gosto. Não tem vírgulas, não tem ponto final. Somos reticências, dízimas periódicas no amor.


2 Comentários:
O post é lindo,descreve o sentimento mais lindo e chocante que existe,escrever sobre o amor é perigoso demais,mais é batata!
ótima semana flor
beijão
Que isso, gente. Que pessoa apaixonada, rs.
Beijo!
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